Joelho do saltador. Sabe reconhecer os sintomas desta lesão degenerativa? - Clínica das Conchas | Medicina, Fisioterapia e Exercício Físico

Joelho do saltador. Sabe reconhecer os sintomas desta lesão degenerativa?

Joelho do saltador. Sabe reconhecer os sintomas desta lesão degenerativa?
12.09.2025

A tendinopatia do tendão rotuliano, também vulgarmente conhecida como “joelho do saltador”, é uma condição degenerativa que afeta o tendão que conecta a rótula à tíbia.

Caracteriza-se por dor na região anterior do joelho, especialmente no bordo inferior da rótula, frequentemente associada a atividades físicas que envolvem saltos e movimentos repetitivos.

Embora esta patologia seja historicamente referida como tendinite, sugerindo um processo inflamatório, estudos histopatológicos revelam que a tendinopatia do tendão rotuliano é predominantemente degenerativa. Imagiologicamente é possível observar em pacientes com esta patologia uma desorganização das fibras de colagénio, aumento da substância mucóide e ausência de células inflamatórias significativas.

A etiologia é multifatorial, podendo-se dever a fatores intrínsecos, como menor elasticidade do segmento proximal do tendão, e fatores extrínsecos, como a sobrecarga mecânica derivada de atividades físicas intensas e repetitivas.

 

Causas

  • Sobrecarga repetitiva (saltos, corridas, mudanças bruscas de direção),
  • Falta de fortalecimento muscular,
  • Alterações biomecânicas (pé chato, alinhamento estrutural do joelho),
  • Uso articular excessivo sem descanso adequado.

 

Principais Sintomas:

  • Dor na região anterior do joelho, imediatamente abaixo da rótula,
  • Sensibilidade e inchaço na região do tendão,
  • Rigidez matinal ou após períodos de inatividade,
  • Dor mais intensa ao subir e descer escadas, correr ou saltar.

 

Diagnóstico

O diagnóstico desta patologia é essencialmente clínico baseado numa correta interpretação do historial clínico do paciente e em testes específicos realizados durante o exame físico, podendo em alguns casos ser complementado por exames de imagem como a ecografia e a ressonância magnética, que auxiliam na avaliação da extensão da degeneração tendinosa.

 

Tratamento

No tratamento da tendinopatia do tendão rotuliano a fisioterapia desempenha um papel essencial para uma recuperação adequada, tendo por objetivos principais a redução da dor, recuperar a funcionalidade da articulação e prevenir recidivas. O processo de reabilitação deve ser dividido em fases progressivas, adaptadas à gravidade do grau de degeneração do tendão e à resposta do paciente ao tratamento.

  1. Fase inicial – Objetivo controlo da dor e proteção do tendão

Nesta etapa, o foco é minimizar a inflamação e a sobrecarga no tendão. As principais abordagens terapêuticas incluem: repouso relativo, redução ou modificação das atividades que causem dor, evitando impacto excessivo; crioterapia, aplicação de gelo na região do tendão por 15 a 20 minutos cerca de 2-3x ao dia com o objetivo de reduzir a dor e a inflamação; terapia manual, incluindo técnicas de libertação miofascial e mobilização articular de modo a melhorar a circulação e o aporte sanguíneo e reduzir a tensão na região do joelho; eletroterapia como a estimulação elétrica transcutânea (TENS) também apresenta bons resultados no que diz respeito ao alívio da dor e exercícios isométricos, como as contrações estáticas do quadricípite de modo a promover a ativação muscular sem sobrecarga excessiva do tendão.

 

  1. Fase intermédia – Fortalecimento muscular e adaptação estrutural

À medida que a dor diminui, devemos iniciar um programa progressivo de fortalecimento muscular, priorizando:

  • Exercícios excêntricos: considerados essenciais na reabilitação da tendinopatia do tendão rotuliano, são exercícios que envolvem a contração muscular enquanto as fibras se alongam;
  • Exercícios concêntricos e excêntricos de resistência lenta: como por exemplo agachamento e legg press (devendo ser realizados com carga progressiva e controlo da velocidade de execução);
  • Fortalecimento da musculatura do CORE e anca: O fortalecimento do CORE e do médio glúteo melhoram a estabilidade do membro inferior e reduzem a sobrecarga na articulação do joelho;
  • Trabalho de mobilidade e alongamento: Exercícios com foco nos isquiotibiais, gémeos e quadricípite ajudam a manter um adequado equilíbrio muscular;

 

  1. Fase Avançada – Retorno à atividade

Quando o paciente já não apresenta dor nas atividades de vida diária iniciamos a fase de reintegração ao desporto ou a atividades mais específicas. Nesta fase devemos dar ênfase a:

  • Exercícios pliométricos: Exercícios que envolvem saltos e aterragens tendo por objetivo a regeneração completa do tendão;
  • Treino funcional: Movimentos específicos do desporto de modo a uma readaptação progressiva aos gestos técnicos da modalidade
  • Correção biomecânica: Análise da marcha e do gesto técnico desportivo de modo a evitar recidivas;
  • Educação do paciente: incidindo sobre orientações acerca da carga de treino, períodos de repouso e estratégias preventivas;

 

Conclusão

Esta patologia (tendinopatia do tendão rotuliano), embora comum, continua a ser uma área alvo de pesquisa e avaliação contínuas. O retorno às atividades desportivas ou de alto impacto só deve ocorrer quando o paciente estiver assintomático e com índices de força e resistências adequados. O acompanhamento contínuo com um Fisioterapeuta é essencial para monotorizar a progressão e garantir a reabilitação completa bem como reduzir ao máximo a possibilidade de recidivas. Esta informação é meramente ilucidativa e não se destina a substituir o concelho e a avaliação correta da parte de um profissional de saúde, pelo que se tiver algum destes sintomas acima referidos e suspeitar que tem tendinopatia do tendão rotuliano deve sempre procurar conselho de um médico especializado.

 

Da autoria do nosso fisioterapeuta João Cardoso

 

 

Referências:

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